Cartas portuguesas traduzidas em francês, de Mariana Alcoforado

EDIÇÃO DEFINITIVA

Coordenação, prólogo e reordenação das cartas: Filipe Delfim Santos
Retroversão, razões e elenco: Vitor Amaral de Oliveira

edição disponível · Canto Redondo / Congresso Internacional Mariana Alcoforado

Capa de «Cartas portuguesas traduzidas em francês, de Mariana Alcoforado. Edição definitiva»
Capa da 1.ª edição.

Publicadas em Paris, em 1669, as Lettres portugaises traduites en françois tornaram-se um dos mais célebres epistolários amorosos da literatura europeia. Durante mais de três séculos, a autoria, a tradução, a ordem das cartas e a própria natureza do texto alimentaram leituras, polémicas, apropriações e sucessivas retroversões para português.

Esta edição apresenta, em fac-símile, o exemplar da Biblioteca Municipal de Lyon, acompanhado por uma retroversão portuguesa rigorosa, coordenada por Filipe Delfim Santos e realizada por Vitor Amaral de Oliveira. O resultado é uma edição crítica, filológica e literariamente decisiva das cartas atribuídas a Mariana Alcoforado.

Mais do que regressar a um clássico, este livro propõe uma nova matriz de leitura para um dos grandes enigmas da cultura portuguesa e europeia.

O fim de um enigma trissecular

Chamou-se definitiva a esta edição não por pretender encerrar para sempre a discussão em torno das cartas, mas por fixar, com rigor linguístico, cultural e académico, uma retroversão portuguesa capaz de servir de referência para o século XXI.

A obra reordena as cartas, confronta o texto francês de 1669 com a tradição das retroversões portuguesas, corrige leituras herdadas e devolve às epístolas uma linguagem próxima da sua origem possível: menos literária no artifício, mais fiel ao ímpeto emocional, histórico e biográfico que lhes deu força.

Ao fim de duzentos anos de versões portuguesas e de trezentos e cinquenta anos de fortuna europeia, esta edição propõe uma leitura exacta, documentada e exigente das cartas mais famosas atribuídas à freira de Beja.

coordenação e retroversão

Filipe Delfim Santos é doutor em Estudos Portugueses pela Universidade Nova de Lisboa e investigador especializado em epistolografia, com trabalho desenvolvido nos géneros textuais do discurso autobiográfico, do período barroco ao contemporâneo. Criou e gere o projecto missiva.pt — The Portuguese and Brazilian Letters Project —, entre outros trabalhos no campo das humanidades digitais.

Vitor Amaral de Oliveira é mestre em Filologia Românica e doutor em Estudos Portugueses pela Universidade Paul Valéry de Montpellier. Especialista em língua francesa seiscentista e no movimento editorial parisiense do século XVII, assina a retroversão portuguesa, bem como os textos «Razões de uma retroversão» e «Elenco das retroversões portuguesas».

A coordenação científica desta edição nasce no contexto do Congresso Internacional Mariana Alcoforado, realizado em Beja, por ocasião dos trezentos e cinquenta anos das Lettres portugaises traduites en françois.

Por dentro da edição

A edição reúne o prólogo de Filipe Delfim Santos, «Afinal nem todas as cartas de amor são ridículas», o ensaio «Razões de uma retroversão», de Vitor Amaral de Oliveira, e um elenco das retroversões portuguesas das cartas.

O volume inclui ainda o fac-símile do original da Biblioteca Municipal de Lyon, com a respectiva retroversão portuguesa em confronto, o Extrato do Privilégio do Rei e a ficha bibliográfica do exemplar original.

Esta composição permite ao leitor acompanhar, lado a lado, o documento seiscentista, a nova retroversão e o enquadramento crítico necessário para compreender a história editorial, literária e filológica destas «cartas portuguesas».

uma história de transmissão

No centro deste livro está Mariana Alcoforado — Madre D. Maria Anna Alcoforada —, figura histórica e literária cuja voz atravessou séculos sob a forma de cinco cartas de amor, perda, abandono e desmesura.

Mas a história das cartas é também a história da sua transmissão: a edição parisiense de Claude Barbin, em 1669; a tradução francesa atribuída a Adrien-Thomas Perdou, Sieur de Subligny; a fortuna crítica europeia; as sucessivas retroversões portuguesas; e o longo debate em torno da autoria, da ordem das cartas e da sua natureza documental ou literária.

É nesse território de paixão, filologia, história editorial e disputa crítica que esta edição intervém.

ficha breve

tipo de obra: epistolário / edição crítica
âmbito: literatura portuguesa, epistolografia, estudos literários, fac-símile, património literário

autoria: Madre D. Maria Anna Alcoforada
coordenação, prólogo e reordenação das cartas: Filipe Delfim Santos
retroversão, razões e elenco: Vitor Amaral de Oliveira
colecção: Epistolários, 1
edição: Canto Redondo / Congresso Internacional Mariana Alcoforado

1.ª edição: Abril de 2020
capa mole com sobrecapa em papel vegetal · 100 × 180 mm
texto: AO90 · 198 páginas
estado: disponível

apoios

Esta edição contou com o apoio da Direcção Regional de Cultura do Alentejo, do Museu Regional de Beja e da Fundação para a Ciência e a Tecnologia.

notícias

As notícias relativas a Cartas portuguesas traduzidas em francês, de Mariana Alcoforado encontram-se reunidas na secção Notícias e no site do projecto.

complementos de leitura

O site mariana.cantoredondo.eu reúne materiais complementares sobre a edição, a recepção e a circulação pública das Cartas portuguesas traduzidas em francês.

Aí podem ser consultados excertos, notícias, vídeos, referências externas e outros conteúdos ligados ao percurso desta edição.